Frederico Morais (1997), crítico de arte, expõe, em seu artigo “Reescrevendo a história da arte latino-americana”, uma reflexão que sistematiza a produção artística latino-americana, confrontando-a com a europeia, contrapondo, também, sua historicidade. “[...] o cotidiano da América latina está contaminado pela política, pelos problemas sociais e econômicos. Conversamos todo o tempo sobre inflação, desemprego, fome no campo e na cidade, divida externa, corrupção, extermínio de índios e crianças, prostituição infantil, sobre os sem-terra e os sem-teto, sequestros, violência policial, etc. Acimas das diferenças regionais e históricas, o que temos em comum é este carácter emergencial dos problemas. Assim, para os artistas latino-americanos, é muitas vezes impossível abandonar o contexto em nome de uma linguagem pretensamente universal, atemporal e a-histórica. Arte e política na América Latina sempre andaram de mãos dadas. Para escrever uma história de arte latino-americana é preciso, antes, conhecer a história política do Continente, a história das ditaduras, dos movimentos de liberação nacional e da guerrilha urbana”. Neste contexto a arte tem sua relação política, econômica e social, tornando-se ferramenta que propõe mudança, sugere reflexão e se posiciona referente os problemas que nos afetam diariamente.